
A rapariga juntou-se aos restantes. Tinha aprendido a viajar como as guerreiras do Firmamento viajavam. Tinha aprendido como os guerreiros do sul viajavam. Tinha aprendido como, através de espelhos ou reflexos, os Vetustos do Firmamento viajavam. Mas não sabia como é que as Guardiãs queriam viajar.
Vira-as apenas aparecer no meio da multidão; e sabia não ser capaz do mesmo.
Para seu consolo, as Guardiãs fizeram um chamamento e um Afhúri apareceu do Abismo. Os afhúris eram caninos grandes, normalmente ou lobos ou cães que acompanhavam as feiticeiras, dependendo do seu nível e da sua colocação.
Pelo tamanho do cão, Faryn nem queria adivinhar o poder de cada uma das Guardiãs.
Um a um os Vetustos do Firmamento subiram para as costas do animal, seguidos das Guardiãs das Torres e de um elemento novo: um filho da Aurora.
Faryn sentiu igualmente um grande poder a vir do rapaz, mas este escondeu-o imediatamente, sentindo a sua aproximação. Os reprodutores para as Guardiãs deviam ser escolhidos a dedo de entre os Deuses do Portão, para que a sua prol fosse das mais fortes.
Sentiu um puxão nas suas defesas, e reforçou-as imediatamente. Olhou de relance para o filho da Aurora e cerrou os dentes. Para alguém que era um ser respeitoso e dos mais poderosos, este estava a ser extremamente irritante.
Sentiu novamente um outro puxão, mais forte desta vez. Da primeira vez tinha apenas reforçado a sua defesa, mas se ele atacasse novamente Faryn não iria recuar.
O filho da Aurora desequilibrou-se e por pouco não caiu ao chão. Faryn escondeu um sorriso de satisfação. Lá se vai o ego do pobre rapaz. Ele que não fosse tão estupidamente confiante e não tivesse atacado.
Idiota... pensou Faryn, dando-se conta que o rapaz endireitava-se e sorria-lhe.
Nada a podia ter preparado para o ataque psíquico que sofreu de seguida. Foi como um tsunami de poder imenso e puro a romper-lhe pelo cérebro dentro. Faryn arquejou e agarrou-se á cabeça. Tentou fechar novamente as suas defesas, mas a força era de tal forma poderosa que assim que o tentava, dava-lhe um dor excruciante na cabeça.
Acabou muito de repente, deixando a sua cabeça com um vazio calmo e bem-vindo.
Faryn respirou fundo, mas não se atreveu a olhar para trás. Além de ter o orgulho ferido, sentia um ligeiro receio ao dar-se com estas figuras graciosas e poderosas que lhe poderiam destruir a mente com um simples pensamento.
A maior parte da viagem foi passada em paz. O afhúri que os transportava parecia não se cansar, pelo que já tinham passados cinco horas desde que a viagem se havia iniciado e em pouco tempo deviam estar a chegar ao local onde eram esperados. Ouviu alguns dos seus companheiros Vetustos do Firmamento a dizer que o grupo ia-se dividir em dois, pois a sua presença era esperada em dois Templos diferentes.
Já tinham passado pela capital da região de Harda, Dhumlar. O primeiro Templo, segundo lhe disseram, era o Templo de Numnei. O segundo era o Templo de Isbjarn.
A Suprema Senhora do Templo de Numnei era uma feiticeira chamada Ophelia. Diziam que ela era das mais simpáticas e que pouco punia as jovens feiticeiras/os que faziam asneiras. Porém, a Suprema Senhora de Templo de Isbjarn já não era tão benevolente. Diziam que não era muito má, mas que era muito exigente com quem entrava para o seu Templo. E que muito provavelmente mandaria embora qualquer pessoa que a desapontasse.
Para além disso situavam-se em territórios diferentes. Numnei era uma terra de prados luxuriantes, e que normalmente ficava cheia de neve no Inverno. Já Isbjarn situava-se num local de dificil localização, devido à vegetação densa. Era rodeado de florestas e de rios e cataratas.
Faryn não se decidia sobre qual é que seria melhor para si, mas também não se importava muito. Não seria ela a decidir quem é que ia para qual. Seriam as Guardiãs.
Foi com surpresa que sentiu novamente um puxão nas suas defesas. Muito timidamente mandou um fio psiquico para fora das suas defesas, mas assim que reconheceu quem era, retirou-se novamente para as suas defesas e reforçou-as.
Maldito filho da Aurora... pensou, irritada. Parece que adora irritar-me e humilhar-me.
Não se deu ao trabalho de olhar para trás, e ignorou os vários puxões das suas defesas.
Também ignorou quando um fio psiquico começou a inspeccionar as suas defesas minuciosamente.
Mas não conseguiu ignorar quando um desses fios realmente encontrou uma brecha. Num instante o rapaz começou a vasculhar nas suas memórias e foi aí que Faryn se irritou.
*Pára com isso! Já!*
O rapaz surpreendeu-se ao ouvir a voz dela na sua cabeça, mas recompôs-se rapidamente.
*E porque é que haveria de o fazer?* respondeu ele, calmamente.
*Porque essas memórias são privadas; e não deves vê-las.*
*Isso não me interessa. Tal como eu, outras pessoas tentarão fazer o mesmo. Habitua-te.*
A rapariga conseguia quase sentir o pequeno sorriso que se expandia no rosto do rapaz. Sentia-se frustrada consigo própria por não conseguir arranjar barreiras suficientemente fortes para conseguir parar o rapaz de entrar na sua mente.
*Como é que te chamas?* perguntou, vendo que ela não lhe estava a responder.
E de facto, Faryn não respondeu. Sentiu um dos fios psíquicos a contorcer-se dentro da sua mente e a aprofundar-se mais na sua memória quando decidiu responder.
*Faryn.* Disse, quase num rosnar.
O filho da Aurora parecia estar a achar toda esta situação extremamente divertida. Faryn desejou chegar já ao Templo para se ver livre deste idiota.
*Olá Faryn. Sou o Auron. Prazer em conhecer-te.*
A rapariga respondeu algo meio mastigado, mas que o rapaz compreendeu milagrosamente.
O fio psíquico foi lentamente retirado da sua mente, e sem esperar por mais Faryn reforçou a suas defesas uma vez mais. Tanto quanto pôde.
Ainda sentiu um leve riso ao fundo, e abraçou-se. Nunca lhe haviam entrado na mente tão de repente e nunca tinham invadido tanto a sua privacidade.
Então isto é que é o poder... pensou Faryn, enquanto se virou para o lado para vislumbrar o rapaz que lhe devolveu o olhar descontraídamente e sorriu.
A rapariga ignorou-o e no momento seguinte sentiu uma perturbação no afhúri que as carregava. Pelos vistos as Guardiãs também, pelo que desceram do meio de transporte e mandaram-no parar. A levitar, falaram com o afhúri. Não estiveram muito tempo a conversar. Passado uns quantos minutos já estavam novamente a andar em direcção ao Templo.
E não demorou muito até conseguirem ver as paredes brancas e cinzentas do grande Templo de Numnei.
Encontrava-se num prado verdejante em que o sol brilhava, jubilante. O afhúri parou na entrada do Templo, onde estava um jardim iluminado pelo sol.
Pouco tempo depois as portas do Templo abriram-se e uma figura altamente decorada com símbolos veio até elas.
A Grande Sacerdotisa... pensou Faryn, e vendo que os outros começavam a fazer uma vénia, também o fez.
- Allina, Ellina. – disse, olhando para as Guardiãs. – Vejo que trouxeram mais feiticeiros do que aqueles que estipulámos.
- Os restantes são para o Templo de Isbjarn. – responderam em uníssono.
- Ah, pois bem. Despachemo-nos então. Um dos Sacerdotes Supremos dos Templos do Norte está à espera que eu regresse para continuarmos a nossa conversa.
As Guardiãs nada disseram, mas pegaram em três dos seis Vetustos do Firmamento e deixaram-nos ao cuidado de Grande Sacerdotisa, que os encaminhou logo para dentro. Então Faryn ficaria no Templo de Isbjarn...
A caminhada continuou, e para grande aborrecimento de Faryn, Auron continuou a tentar entrar dentro da sua mente. Felizmente para ela, o rapaz não mais conseguiu encontrar uma brecha nas suas defesas.
Passado algum tempo os campos abertos e verdes deram lugar a um espaço mais fechado e denso. Os prados transformaram-se em floresta e o tempo solarengo começou a ficar enevoado e com nevoreiro. As brumas começaram a tocar a terra quando finalmente chegaram ao Templo de Isbjarn.
Desta vez nenhuma Sacerdotisa os veio cumprimentar. Estava uma rapariga de cabelos castanhos claros e olhos cinzentos à espera deles. Era uma Cantora das Estrelas experiente e guia-mor, brincou ela, do Templo de Isbjarn.
Faryn e a outra rapariga foram guiadas até à parte sul do templo, onde estavam os dormitórios das raparigas da mais baixa classe. Os quartos eram divididos por dois, e a feiticeira ficou com essa tal rapariga no quarto. Aprendeu mais tarde que o seu nome era Ceula.
As suas coisas já estavam lá postas. O quarto não era nada demais. Apenas duas camas cómodas, um armário para as roupas e uma secretária vazia. O próprio quarto parecia tão invernoso como o tempo lá fora, mas Faryn não se importou. Esperava conseguir aprender mais coisas aqui, e com elas evoluir para o próximo nível de conhecimento. Fosse ele qual fosse.
Deitou-se na cama depois de arrumar as coisas. Acariciou a sua pedra de um cinza escuro, com veios roxos. Se bem se lembrava, o roxo denunciava a presença de uma Observadora da Madrugada, que poderia ascender a Senhora da Meia-Noite; e mais tarde talvez a uma Sussurrante da Escuridão. A feiticeira que tinha maior poder sobre a noite e as horas de escuridão, bem como de todo o tipo de sombras e invocações.
Mas o cinzento... o cinzento não era uma cor. Faryn não sabia o que significava o cinzento. Contemplou perguntar à sua companheira de quarto, pelo que esta lhe respondeu de modo vago:
- Pelo que eu li enquanto estava na vila, acho que as pedras com sombras são pedras que não têm um poder definido. Podem ter qualquer coisa, como podem não ter nada. O tom da sombra, conforme seja mais escuro ou mais claro, informa do nível máximo a que as feiticeiras que possuam esse tipo de pedra fazem as magias. Suponho que quanto mais clara, maior será o poder.
- Oh... obrigada. – disse Faryn, ligeiramente desapontada com a sua pedra. Pelo menos ainda tinha os veios roxos; e sempre gostara de Sussurrantes da Escuridão.
Olhou para a janela. Do quarto onde estava podia ver uma extensão enorme de árvores e nébula; e o que parecia ser um lago. A escuridão já estava a ganhar à luz e a companheira de Quarto de Faryn acendeu as várias velas que existiam à volta do quarto, para o preparar para a noite. Faryn sabia que em breve iriam jantar, e apressou-se a acabar de arrumar os seus pertences.
Tal como previra um pouco mais tarde bateram-lhes à porta, anunciando o jantar. Quando Faryn abriu a porta, deu de caras com a rapariga bem humorada que as tinha ajudado pelo resto do Templo.
- Venham Irmãs. Eu levo-vos ao refeitório.
- Obrigada irmã. – respondeu Faryn, com um sorriso. – Não cheguei a saber o teu nome.
- Sou a Galea, e tu deves ser a Faryn. Falaram-me de ti.
A feiticeira ficou confusa. Ninguém naquele sítio conhecia quem ela era, quanto mais o seu nome.
Apercebendo-se da sua confusão, Galea disse:
- Foi o Auron que me disse. Pelos vistos vocês travaram conhecimentos na vossa viagem.
O humor de Faryn baixou subitamente.
- Conhece-lo?!
Vira-as apenas aparecer no meio da multidão; e sabia não ser capaz do mesmo.
Para seu consolo, as Guardiãs fizeram um chamamento e um Afhúri apareceu do Abismo. Os afhúris eram caninos grandes, normalmente ou lobos ou cães que acompanhavam as feiticeiras, dependendo do seu nível e da sua colocação.
Pelo tamanho do cão, Faryn nem queria adivinhar o poder de cada uma das Guardiãs.
Um a um os Vetustos do Firmamento subiram para as costas do animal, seguidos das Guardiãs das Torres e de um elemento novo: um filho da Aurora.
Faryn sentiu igualmente um grande poder a vir do rapaz, mas este escondeu-o imediatamente, sentindo a sua aproximação. Os reprodutores para as Guardiãs deviam ser escolhidos a dedo de entre os Deuses do Portão, para que a sua prol fosse das mais fortes.
Sentiu um puxão nas suas defesas, e reforçou-as imediatamente. Olhou de relance para o filho da Aurora e cerrou os dentes. Para alguém que era um ser respeitoso e dos mais poderosos, este estava a ser extremamente irritante.
Sentiu novamente um outro puxão, mais forte desta vez. Da primeira vez tinha apenas reforçado a sua defesa, mas se ele atacasse novamente Faryn não iria recuar.
O filho da Aurora desequilibrou-se e por pouco não caiu ao chão. Faryn escondeu um sorriso de satisfação. Lá se vai o ego do pobre rapaz. Ele que não fosse tão estupidamente confiante e não tivesse atacado.
Idiota... pensou Faryn, dando-se conta que o rapaz endireitava-se e sorria-lhe.
Nada a podia ter preparado para o ataque psíquico que sofreu de seguida. Foi como um tsunami de poder imenso e puro a romper-lhe pelo cérebro dentro. Faryn arquejou e agarrou-se á cabeça. Tentou fechar novamente as suas defesas, mas a força era de tal forma poderosa que assim que o tentava, dava-lhe um dor excruciante na cabeça.
Acabou muito de repente, deixando a sua cabeça com um vazio calmo e bem-vindo.
Faryn respirou fundo, mas não se atreveu a olhar para trás. Além de ter o orgulho ferido, sentia um ligeiro receio ao dar-se com estas figuras graciosas e poderosas que lhe poderiam destruir a mente com um simples pensamento.
A maior parte da viagem foi passada em paz. O afhúri que os transportava parecia não se cansar, pelo que já tinham passados cinco horas desde que a viagem se havia iniciado e em pouco tempo deviam estar a chegar ao local onde eram esperados. Ouviu alguns dos seus companheiros Vetustos do Firmamento a dizer que o grupo ia-se dividir em dois, pois a sua presença era esperada em dois Templos diferentes.
Já tinham passado pela capital da região de Harda, Dhumlar. O primeiro Templo, segundo lhe disseram, era o Templo de Numnei. O segundo era o Templo de Isbjarn.
A Suprema Senhora do Templo de Numnei era uma feiticeira chamada Ophelia. Diziam que ela era das mais simpáticas e que pouco punia as jovens feiticeiras/os que faziam asneiras. Porém, a Suprema Senhora de Templo de Isbjarn já não era tão benevolente. Diziam que não era muito má, mas que era muito exigente com quem entrava para o seu Templo. E que muito provavelmente mandaria embora qualquer pessoa que a desapontasse.
Para além disso situavam-se em territórios diferentes. Numnei era uma terra de prados luxuriantes, e que normalmente ficava cheia de neve no Inverno. Já Isbjarn situava-se num local de dificil localização, devido à vegetação densa. Era rodeado de florestas e de rios e cataratas.
Faryn não se decidia sobre qual é que seria melhor para si, mas também não se importava muito. Não seria ela a decidir quem é que ia para qual. Seriam as Guardiãs.
Foi com surpresa que sentiu novamente um puxão nas suas defesas. Muito timidamente mandou um fio psiquico para fora das suas defesas, mas assim que reconheceu quem era, retirou-se novamente para as suas defesas e reforçou-as.
Maldito filho da Aurora... pensou, irritada. Parece que adora irritar-me e humilhar-me.
Não se deu ao trabalho de olhar para trás, e ignorou os vários puxões das suas defesas.
Também ignorou quando um fio psiquico começou a inspeccionar as suas defesas minuciosamente.
Mas não conseguiu ignorar quando um desses fios realmente encontrou uma brecha. Num instante o rapaz começou a vasculhar nas suas memórias e foi aí que Faryn se irritou.
*Pára com isso! Já!*
O rapaz surpreendeu-se ao ouvir a voz dela na sua cabeça, mas recompôs-se rapidamente.
*E porque é que haveria de o fazer?* respondeu ele, calmamente.
*Porque essas memórias são privadas; e não deves vê-las.*
*Isso não me interessa. Tal como eu, outras pessoas tentarão fazer o mesmo. Habitua-te.*
A rapariga conseguia quase sentir o pequeno sorriso que se expandia no rosto do rapaz. Sentia-se frustrada consigo própria por não conseguir arranjar barreiras suficientemente fortes para conseguir parar o rapaz de entrar na sua mente.
*Como é que te chamas?* perguntou, vendo que ela não lhe estava a responder.
E de facto, Faryn não respondeu. Sentiu um dos fios psíquicos a contorcer-se dentro da sua mente e a aprofundar-se mais na sua memória quando decidiu responder.
*Faryn.* Disse, quase num rosnar.
O filho da Aurora parecia estar a achar toda esta situação extremamente divertida. Faryn desejou chegar já ao Templo para se ver livre deste idiota.
*Olá Faryn. Sou o Auron. Prazer em conhecer-te.*
A rapariga respondeu algo meio mastigado, mas que o rapaz compreendeu milagrosamente.
O fio psíquico foi lentamente retirado da sua mente, e sem esperar por mais Faryn reforçou a suas defesas uma vez mais. Tanto quanto pôde.
Ainda sentiu um leve riso ao fundo, e abraçou-se. Nunca lhe haviam entrado na mente tão de repente e nunca tinham invadido tanto a sua privacidade.
Então isto é que é o poder... pensou Faryn, enquanto se virou para o lado para vislumbrar o rapaz que lhe devolveu o olhar descontraídamente e sorriu.
A rapariga ignorou-o e no momento seguinte sentiu uma perturbação no afhúri que as carregava. Pelos vistos as Guardiãs também, pelo que desceram do meio de transporte e mandaram-no parar. A levitar, falaram com o afhúri. Não estiveram muito tempo a conversar. Passado uns quantos minutos já estavam novamente a andar em direcção ao Templo.
E não demorou muito até conseguirem ver as paredes brancas e cinzentas do grande Templo de Numnei.
Encontrava-se num prado verdejante em que o sol brilhava, jubilante. O afhúri parou na entrada do Templo, onde estava um jardim iluminado pelo sol.
Pouco tempo depois as portas do Templo abriram-se e uma figura altamente decorada com símbolos veio até elas.
A Grande Sacerdotisa... pensou Faryn, e vendo que os outros começavam a fazer uma vénia, também o fez.
- Allina, Ellina. – disse, olhando para as Guardiãs. – Vejo que trouxeram mais feiticeiros do que aqueles que estipulámos.
- Os restantes são para o Templo de Isbjarn. – responderam em uníssono.
- Ah, pois bem. Despachemo-nos então. Um dos Sacerdotes Supremos dos Templos do Norte está à espera que eu regresse para continuarmos a nossa conversa.
As Guardiãs nada disseram, mas pegaram em três dos seis Vetustos do Firmamento e deixaram-nos ao cuidado de Grande Sacerdotisa, que os encaminhou logo para dentro. Então Faryn ficaria no Templo de Isbjarn...
A caminhada continuou, e para grande aborrecimento de Faryn, Auron continuou a tentar entrar dentro da sua mente. Felizmente para ela, o rapaz não mais conseguiu encontrar uma brecha nas suas defesas.
Passado algum tempo os campos abertos e verdes deram lugar a um espaço mais fechado e denso. Os prados transformaram-se em floresta e o tempo solarengo começou a ficar enevoado e com nevoreiro. As brumas começaram a tocar a terra quando finalmente chegaram ao Templo de Isbjarn.
Desta vez nenhuma Sacerdotisa os veio cumprimentar. Estava uma rapariga de cabelos castanhos claros e olhos cinzentos à espera deles. Era uma Cantora das Estrelas experiente e guia-mor, brincou ela, do Templo de Isbjarn.
Faryn e a outra rapariga foram guiadas até à parte sul do templo, onde estavam os dormitórios das raparigas da mais baixa classe. Os quartos eram divididos por dois, e a feiticeira ficou com essa tal rapariga no quarto. Aprendeu mais tarde que o seu nome era Ceula.
As suas coisas já estavam lá postas. O quarto não era nada demais. Apenas duas camas cómodas, um armário para as roupas e uma secretária vazia. O próprio quarto parecia tão invernoso como o tempo lá fora, mas Faryn não se importou. Esperava conseguir aprender mais coisas aqui, e com elas evoluir para o próximo nível de conhecimento. Fosse ele qual fosse.
Deitou-se na cama depois de arrumar as coisas. Acariciou a sua pedra de um cinza escuro, com veios roxos. Se bem se lembrava, o roxo denunciava a presença de uma Observadora da Madrugada, que poderia ascender a Senhora da Meia-Noite; e mais tarde talvez a uma Sussurrante da Escuridão. A feiticeira que tinha maior poder sobre a noite e as horas de escuridão, bem como de todo o tipo de sombras e invocações.
Mas o cinzento... o cinzento não era uma cor. Faryn não sabia o que significava o cinzento. Contemplou perguntar à sua companheira de quarto, pelo que esta lhe respondeu de modo vago:
- Pelo que eu li enquanto estava na vila, acho que as pedras com sombras são pedras que não têm um poder definido. Podem ter qualquer coisa, como podem não ter nada. O tom da sombra, conforme seja mais escuro ou mais claro, informa do nível máximo a que as feiticeiras que possuam esse tipo de pedra fazem as magias. Suponho que quanto mais clara, maior será o poder.
- Oh... obrigada. – disse Faryn, ligeiramente desapontada com a sua pedra. Pelo menos ainda tinha os veios roxos; e sempre gostara de Sussurrantes da Escuridão.
Olhou para a janela. Do quarto onde estava podia ver uma extensão enorme de árvores e nébula; e o que parecia ser um lago. A escuridão já estava a ganhar à luz e a companheira de Quarto de Faryn acendeu as várias velas que existiam à volta do quarto, para o preparar para a noite. Faryn sabia que em breve iriam jantar, e apressou-se a acabar de arrumar os seus pertences.
Tal como previra um pouco mais tarde bateram-lhes à porta, anunciando o jantar. Quando Faryn abriu a porta, deu de caras com a rapariga bem humorada que as tinha ajudado pelo resto do Templo.
- Venham Irmãs. Eu levo-vos ao refeitório.
- Obrigada irmã. – respondeu Faryn, com um sorriso. – Não cheguei a saber o teu nome.
- Sou a Galea, e tu deves ser a Faryn. Falaram-me de ti.
A feiticeira ficou confusa. Ninguém naquele sítio conhecia quem ela era, quanto mais o seu nome.
Apercebendo-se da sua confusão, Galea disse:
- Foi o Auron que me disse. Pelos vistos vocês travaram conhecimentos na vossa viagem.
O humor de Faryn baixou subitamente.
- Conhece-lo?!


